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Porque é tão difícil procurar ajuda psicológica? Parte 3 de 3

Essa é a última publicação da série que destaca as principais dificuldades de procurar ajuda psicológica. Caso não tenha visto os d...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Porque psicólogo não pode atender parentes e amigos?


Você que sempre achou que aquele seu parente ou amigo psicólogo é um chato porque não quis te ajudar, vamos tentar entender por que. 



Antes de tomar um remédio o ideal é entender qual sua função. Certo?


Então, é importante entender o que o psicólogo faz. O que seria uma psicoterapia (psicólogo tem outras funções além da psicoterapia).
A dúvida já começa por aí, muitos não entendem o que o psicólogo faz.

Há muitos que confundem entende que psicólogo é aquele que aconselha. Caso você seja um deles recomendo o texto: Porque psicólogo não pode dar conselhos?



O objetivo da psicoterapia é promover o bem estar do paciente, ajudá-lo a enfrentar suas dificuldades, compreender-se, se conhecer para assim promover melhor na sua saúde mental. Para isso o profissional ouve o paciente e a partir do que o paciente relata é analisado e são feitas interpretações pelo psicoterapeuta. Existem várias abordagens e técnicas psicoterápicas em linhas gerais o processo segue dessa forma.

Ainda não entendi, mesmo assim porque um amigo ou parente não pode me atender?

Para que esse processo ocorra exige escuta diferenciada do profissional, isenção de julgamento, neutralidade e uma boa comunicação. Não é um processo simples ou mágico.

Vamos com calma.

Um ponto importante para desenvolver um processo de psicoterapia é a comunicação.

Na comunicação muitas vezes ocorrem ruídos.  

Como assim?


Vamos a um exemplo:

Sua mãe diz: " Fui no mercado e comprei laranja pera, mas era para ter comprado pêra!" 

Qual será sua reação?

Se você sabe que sua mãe está passando por um período difícil e está estressada, você pode dizer a ela que ela precisa tirar umas férias, ou relaxar entre outras opções.

Se ela é naturalmente distraída, você ri e não se surpreende, pois já ouviu muitas experiências dela assim. 


As possibilidades de reações são muitas, e todas elas vão depender da relação e da experiência que já tem com ela.


Nesse exemplo você consegue compreender que todos nós humanos olhamos o outro e o mundo a partir das nossas experiências. Experiência que provem da convivência com outro e também da própria história.

Cada um trata o outro de um jeito a partir do que viveu com ele.

Se o profissional atende um parente a neutralidade que deve ter para desempenhar o seu papel como psicólogo já está perdida, por maior o esforço que o profissional tenha não terá. A relação já estabelecida influencia no andamento do processo.



Esse movimento é das duas partes, caso ocorra um atendimento de parente ou amigo, a comunicação estará mergulhada de preconceitos um a respeito do outro.

Agora que tem essas informações fica um pouco mais fácil vocês entenderem de forma mais técnica o que agrava um atendimento de parentes e amigos. Existe um fenômeno que ocorre diariamente com todos nós chamado transferência, na sessão psicoterápica ( com base psicanalista) ela é fundamental. Transferência  é um movimento que todos nós temos, é a influencia que o inconsciente tem sobre nosso comportamento (falo um pouco sobre isso  aqui).   

Ficou confuso? Calma eu te explico!

Todos nós temos conteúdos inconscientes estes conteúdos tem influencia sobre nosso comportamento a psicoterapia (com base psicanalista) busca compreender estes conteúdos inconscientes e compreende-lo melhor, para isso é necessário que o psicólogo escute o paciente, seja neutro e não julgue. A transferência na sessão psicoterapia é uma técnica que o psicólogo utiliza para compreender e ajudar o paciente.

Mas o que é transferência afinal? 

É um movimento que o paciente tem de comportar-se remetendo a situações remotas de forma atualizada. Seria repetir um comportamento infantil. Todo esse movimento é inconsciente e o profissional deve estar atendo a isso. 

Existe ainda a contransferência que é os conteúdos do psicólogo para o paciente. Que o profissional deve sempre estar atento.


Abaixo relaciono os principais conflitos que pode ocorrer. Vamos a eles:


1. O paciente pode não se sentir a vontade de expor intimidades e o terapeuta por já ter uma relação mais próximo perguntar e causar mal estar.


2. Mistura de conteúdos. O profissional pode não conseguir separar o que é conteúdo da sessão do paciente com o conteúdo familiar.

3. Relação de intimidade. Por mais que o paciente expõe sua intimidade ao terapeuta a relação estabelecida é humana, mas não é intimida, e com amigos e familiares esse movimento pode interferir negativamente no processo de psicoterapia e na relação das partes envolvidas.

4. O paciente pode não aceitar as interpretações por misturar experiências fora do processo psicoterápico.

5. Medo de julgamento por parte do paciente. E esse medo pode fazer com que não fale conteúdos importantes.

6. Não levar realmente a sério o que o psicólogo fala. Devido à relação já estabelecida, caso o psicólogo parente ou amigo fale e devido ao  conteúdo mencionado não seja do agrado do parente ou amigo então paciente, o mesmo pode não aceitar e justificar com conteúdos ocorridos fora da sessão até mesmo do passado que viveram juntos.

7. O profissional tem mais riscos de falhar nas interpretações, mesmo com anos de experiência, é uma relação humana. A relação afetiva que já ocorre interfere no olhar e na escuta do profissional.

E aquela ajuda básica, só uma orientação? Claro que queremos ajudar  principalmente quem está mais próximo de nós e que amamos. Ainda assim é importante o profissional procurar saber orientar quando parente ou amigo por tudo que foi exposto a comunicação pode estar prejudicada.


Este texto faz parte de um trabalho de esclarecimento, não tem fins terapêuticos.


Veja também:

5 diferenças entre conversa de amigos e psicoterapia

Porque é tão difícil procurar ajuda psicológica?

Amor patológico

 




Joyce Cristina de Souza Leite

Psicóloga Clínica. Especialista em Psicoterapia Breve Operacionalizada.

CRP 06/113205
 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Dependência Emocional





“Se você é capaz de ser feliz quando está sozinho, você aprendeu o segredo de ser feliz”. 
Osho.

Tão bom ter alguém com quem contar. Tão bom ter aquela pessoa pra contar seu dia, para perguntar com que roupa vai e perguntar tudo enfim!
Sim ter amigos, namorado, marido com quem contar é muito bom. Todos nós dependemos de afeto, desejamos carinho e atenção, porém há casos que a dependência de atenção, aprovação e afeto é tanta que pode se tornar uma doença.

Veja abaixo os critérios para identificar Transtorno de Dependência Emocional


1.    Dificuldade de tomar decisões corriqueiras, sem uma quantidade excessiva de conselhos e confirmação da parte de terceiros.
Exemplos: que tipo de roupa usar para ir a uma festa. Escolha de um prato no restaurante.
2.     Há permissão que outros (geralmente uma pessoa apenas) tomem iniciativas e assumam responsabilidade por áreas importantes da sua vida.
Exemplos: escolha de emprego. Como deve agir diante de determinadas situações. Se deve manter amizade ou não com determinada pessoa.
3.    Tem dificuldade em expressar discordância com outras pessoas, em especial com aquelas pessoas que mais dependem.
Por medo de não terem aprovação perder a atenção, cuidado e afeto das pessoas.
4.    Dificuldade de iniciar projetos ou realizar tarefas de maneira independente.
            Exemplo: sentir necessidade da companhia de alguém para ir ao médico.
Normalmente não se sente confiantes para realizar projetos, tem preferência que outros liderem ou iniciem o projeto.
5.    Oferece a tarefas desagradáveis a fim de ter o retorno afetivo que carecem.
Exemplo: toleram abusos físicos e verbais. Aguarda a pessoa mesmo que por muito tempo e sem justificativa adequada.

6.    Sentem-se desconfortáveis e desanimados quando estão sozinhos.
Não conseguem se sentir seguros sem uma companhia. Exemplo: buscam qualquer companhia mesmo que não lhe interesse para não se sentir sozinho. 
7.    Quando terminam um relacionamento significativo urgentemente iniciam outro relacionamento.
Acreditam que não conseguem funcionar sem um relacionamento íntimo.
8.    Medo do abandono.
Há constante medo de perder os conselhos o apoio e o cuidado do outro mesmo que não há risco real que isto aconteça.

Você pode ter se identificado com um ou mais desses sintomas, o que vai caracterizar é a intensidade e todo o contexto envolvido. 
Conhecendo esses critérios você consegue refletir sobre seu comportamento e se identificou com esses comportamentos é importante que procure ajuda psicológica.
 Normal se identificar ao menos com um ou dois dos comportamentos informados, procure refletir de forma realista, vale ressaltar que esse texto não substitui um diagnóstico acompanhado por um profissional.

É difícil reconhecer que é dependente de algo. Todo mundo sabe alguns lemas dos alcoólicos anônimos, um deles é que o primeiro passo é reconhecer-se como dependente alcoólico, geralmente eles entendem que uma hora pode parar, sem reconhecer-se como dependente não conseguem fazer o tratamento, o mesmo ocorre com o dependente emocional. Para conseguir livrar-se da dependência o primeiro passo é compreender-se dependente, o que não é tarefa fácil.

Qual a origem da Dependência Emocional?


Pode ter muitas origens, depende de cada pessoa, segue algumas delas:
Pais super-protetores.
Muitas vezes, com a intenção de proteger os filhos os pais acabam evitando que eles aprendam a se virarem sozinhos. Adquirir maturidade e consciência de que são capazes de realizar as tarefas sozinhas. Uma vivência super -protetora cria um crença inconsciente que a pessoa não é capaz de realizar tarefas sozinhas.

Pais muito rígidos.
Quando há ênfase nos erros e não elogiados as realizações também pode criar a crença que não são capazes de realizar projetos bons, não desenvolve a autoconfiança.

Ausência de afeto na infância
Quando na infância a criança não teve uma relação afetiva satisfatória. Quando há maus tratos. Neste ocorre à busca de suprir a necessidade não obtida na infância.
Entre outras origens. Conhecer nossa história e compreender nossos sentimentos nos ajuda a entender nosso comportamento. 

Conheça-se!



OBS.: Todo o conteúdo desta e de outras publicações deste site tem função informativa e não terapêutica.

Joyce Cristina de Souza Leite
Psicóloga Clínica. Especialista em Psicoterapia Breve Operacionalizada.
CRP 06/113205