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Porque é tão difícil procurar ajuda psicológica? Parte 3 de 3

Essa é a última publicação da série que destaca as principais dificuldades de procurar ajuda psicológica. Caso não tenha visto os d...

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Mitos sobre o suicídio




O que é o suicídio?

“...um ato próprio da natureza humana e, em cada época, precisa ser repensado” (Goethe)



 Em aspecto geral o suicídio é um ato voluntário por qual um indivíduo possui a intenção de provocar a própria morte.




“suicídio é uma denúncia individual de uma crise coletiva”
 (Durkheim)

Na psicologia vamos encontrar a definição de suicídio como uma atitude individual que visa exterminar a própria vida. Essa atitude está relacionada a um sofrimento intenso vivido pelo indivíduo, e que pode advir de conflitos intrapsíquicos que o perturbam demasiadamente e que lhe deixam somente a morte como recurso. Este sofrimento pode ser tanto verdadeiro quanto ter sua origem em algum transtorno psiquiátrico como a psicose aguda (indivíduo sai da realidade, porém não tem esta percepção), a depressão delirante ou outro transtorno afetivo.
 


 O suicídio está entre as três maiores causas de morte entre pessoas com
idade entre 15-35 anos. Primeiro causa acidentes e segunda homicídios.[1]
Em torno de 70% dos suicídios ocorrem em decorrência de uma fase depressiva[2].
Para cada suicídio há, em média, 5 ou 6 pessoas próximas ao falecido que sofrem consequências emocionais, sociais e econômicas.[3]

Mitos:


“Quem se mata não avisa”

Aproximadamente 90% das pessoas que tentam suicídio avisam antes[4].


 
“Ele está ameaçando suicídio apenas para manipular.”


A pessoa que fala abertamente sobre o desejo de morrer está no mínimo pedindo ajuda indica que há algo errado e, portanto, deve ser investigado, especialmente em adolescentes onde as emoções são vividas com maior intensidade, é necessário um olhar diferencial, para sinais que são costumeiramente ignorados pelos familiares agravando a depressão e aumentando a possibilidade de cometer tal ato, principalmente nos casos em o suicida tentou depositar a culpa de sua morte nos outros indivíduos que compõem seu ambiente social, principalmente nos familiares. 


“Se eu perguntar sobre suicídio, poderei induzir o paciente a isso.”



Especialistas afirmam caso ocorra desconfiança deve abordá-lo da forma mais direta possível perguntando se já pensou no assunto e se já chegou a planejar o ato, é uma maneira possível de perceber a gravidade da situação. Tendo em vista que o desejo de morrer é a via em que o sujeito encontra de sair de um sofrimento, situação, dor e/ou conflitos ao ser questionado há a possibilidade de um novo caminho para sair da situação em que se encontra.


 “Quem quer se matar, se mata mesmo.”
 

Não é de se negar que existem aqueles que realmente se matam, nem sempre é possível prevenir todos os suicídios, mas sim evitar os que podem ser evitados. Essa afirmativa pode conduzir ao imobilismo terapêutico e/ou descuido no manejo das pessoas sobre o risco.  Falar esta afirmação como na frente de uma pessoa que ameaça se matar pode ser considerada como incentivo, indução e/ou instigação ao suicídio e, portanto é considerado crime.

“O suicídio é um ato de covardia (ou de coragem)” 

O que dirige a ação auto- inflingida é uma dor psíquica insuportável

e não uma atitude de covardia ou coragem[5].
Suicídio não é um ato de covardia, nem mesmo de coragem o sujeito que chega a este ponto está com um sofrimento tamanho e em um estado muito extremo que não encontra outra saída, a única maneira que enxerga para solucionar o problema é se matar.




 Vamos falar sobre o assunto. Muitos dos quais se suicidam não querem realmente terminar com a vida querem terminar com a dor.



“Eu acredito que a cadência e a harmonia certas no momento certo podem despertar qualquer sentimento, inclusive o da felicidade nos momentos mais sombrios”.

(Vinícius Gageiro Marques - suicidou-se aos 16 anos)





[1] Fonte: Prevenção do Suicídio: Manual Para Profissionais da Saúde em Atenção Primária. Disponível em: http://www.who.int/mental_health/prevention/suicide/en/suicideprev_phc_port.pdf

[2] Fonte: OMS

[3]  Fonte: Manual de Prevenção do Suicídio dirigido a profissionais das equipes de saúde mental, uma das estratégias nacional de prevenção ao suicídio do Ministério da Saúde. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/manual_prevencao_suicidio_saude_mental.pdf


[4] Idem ao 2.
[5] Fonte: Manual de Prevenção do Suicídio dirigido a profissionais das equipes de saúde mental, uma das estratégias nacional de prevenção ao suicídio do Ministério da Saúde.



VEJAM TAMBÉM:

Porque é tão difícil procurar ajuda psicológica?

Sua tristeza tem valor? 

Dicas para melhorar a autoestima

 

 

 


sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Terapia não é uma simples conversa

É muito mais que uma conversa.





Ao olhar o terapeuta e seu paciente irá notar que há um encontro e neste encontro há um diálogo. Mas, não é um encontro qualquer.

Na terapia é assumido pelo paciente um compromisso, uma união de trabalho. Trabalho? Sim, pois o paciente participa ativamente do processo. Quando acontece a terapia quem procura precisa estar disposto a refletir, ouvir, reconsiderar, elaborar além de desabafar.

O conteúdo do paciente será tratado de forma diferente do que é tratado no dia a dia pelas pessoas. O terapeuta irá ouvir como ninguém no dia a dia ouve.

Terapia é onde é falado o que nem sempre é possível falar para alguém. Ou que é dito a todo mundo, mas não é compreendido ninguém.

O terapeuta não adivinha como se fosse mágica. O paciente precisa relatar o que sente, ou tentar descrever da maneira que puder. E o terapeuta irá ajuda-lo a interpretar o que foi dito, faze-lo refletir sobre o que foi dito. Mas, calma. Não é toda sessão de terapia que é assim. Haverá sessão que o paciente receberá conforto apenas.




Nenhuma sessão é igual a outra. Psicoterapia é um processo.

Há momentos que a terapia pode parecer um espelho para que o paciente se enxergue como nunca havia visto antes.





Nos encontros semanais o paciente tende a se conhecer melhor, percebe que para mudar algo que angustia é um processo, que não existe fórmula mágica. Entretanto, quando consegue entender o que está acontecendo com ele, consegue identificar porque tem certos sentimentos tem maior autonomia para decidir como lidar com a situação.


Lembrando que existem vários tipos de psicoterapia. Há psicólogos comportamentais outros de orientação psicanalista, outros psicodrama entre várias outras formas.

Caso tenha tido uma experiência com um psicólogo que não gostou tente outra vez. Talvez a forma que um psicólogo trabalha não seja compatível com sua forma de ser, mas poderá ter outros que você se sinta confortável.



sexta-feira, 29 de julho de 2016

Se eu for no psicólogo eu devo enlouquecer ele!

É comum eu ouvir, mesmo que de brincadeira, que se eu atendesse uma pessoa essa pessoa iria-me "enlouquecer".




Há quem se vê cercado de problemas se sente confuso, não se sente compreendido por ninguém. E chega a creditar que nem mesmo o psicólogo irá conseguir ajudá-lo.
Não desconsiderando a complexidade do problema de ninguém, há casos que são mesmo muito difíceis, mas em cada caso é possível que o psicólogo ajude a melhorar a saúde emocional e assim fazer com que o paciente se fortaleça e tenha mais recursos internos para lidar com a situação em que vive.

Veja os 5 motivos para o psicólogo não "enlouquecer" com o seu problema.


1. Uma primeira hipótese é que a pessoa enxerga o problema muito maior que ele é. Um problema grande já delicado torna-se ainda maior. Ao tentar lidar com o problema, como o vê grande, a pessoa acaba se comportando de maneira menos adequada gerando outros conflitos.

O psicólogo com o olhar neutro terá um cuidado para apresentar ao paciente outras formas de visualizar o problema e com isso é possível buscar novas soluções.



2. O psicólogo estudou muito o comportamento humano e a mente humana, quando o paciente relata sua história e seus problemas, com o seu conhecimento o psicólogo consegue compreender a dinâmica do paciente, a forma que ele lida com os seus problemas e ajuda o paciente a se compreender, neste movimento de autoconhecimento do paciente ele se dá conta dos motivos de estar reagindo de certa maneira à situação. O papel do psicólogo é estimular a saúde emocional do paciente dessa forma o paciente tem maior habilidade para lidar com as dificuldades.



3. O psicólogo não vai resolver o seu problema! Não!? Então para que ir ao psicólogo?
Muitos entendem que a terapia consiste em dizer ao psicólogo o seu problema e fica aguardando a resolução do profissional. Na verdade o que ocorre é, o psicólogo compreender a história do paciente e juntos perceber porque esta o paciente se comporta de determinada maneira. O psicólogo ajuda no estado emocional do paciente e isso permitirá que o paciente adquira recursos internos para resolver a situação.


4. Psicólogo também faz psicoterapia. É uma condição necessária para que um bom profissional da psicologia clínica faça terapia. Para ajudar o outro a se cuidar é preciso se cuidar também. Antes de ser profissional da psicologia somos humanos também temos as nossas questões, e, por isso, é importante sempre estar olhando para nós mesmos para estarmos muito mais aptos para olhar para o paciente.


5. Escuta diferenciada. O trabalho do psicólogo consiste em escutar o paciente de forma diferente, para conseguir ouvir até mesmo o que o paciente não fala. Como assim? Muitas vezes não nos damos conta da forma como nos expressamos, mas o comportamento corporal também indica muita coisa sobre o que está sentindo naquele momento. Temos muitas técnicas e teorias científicas para ajudar a compreender o que está se passando com o paciente. O profissional precisa manter a postura neutra e dessa forma tem maior capacidade de olhar o paciente e ajudá-lo.


O medo de "enlouquecer" o psicólogo pode estar relacionado à própria insegurança do paciente de relatar toda a sua história e toda sua experiência. É mesmo muito difícil falar com alguém que não conhecemos sobre conteúdos tão íntimos, mas é um recurso que pode te ajudar muito e quando tiver essa experiência se perguntará por que demorou tanto para procurar um profissional.


Esse é um texto faz parte de um trabalho de esclarecimento, não tem fins terapêuticos.

VEJA TAMBÉM:

5 diferenças entre conversa de amigos e psicoterapia

Porque é tão difícil procurar ajuda psicológica?

Como assim psicólogo não pode dar conselho?!

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sexta-feira, 8 de julho de 2016

Qual a diferença entre Piscólogo e Psiquiatra?




Muita gente confunde esses dois profissionais.
Os dois profissionais ajudam no tratamento da doença mental, mas cada um de uma forma diferente.


Psiquiatra



O Psiquiatra é um médico ( ou seja, formado em medicina) que faz especialização em psiquiatria. Sendo um médico pode receitar medicamentos, e ,é desta forma ( medicamentosa) que o psiquiatra faz o tratamento de doenças mentais.
A área de conhecimento do psiquiatra envolve psicofarmacologia e neurologia entre muitas outras.
 
Com esse profissional há encontro mensais, as vezes, com espaçamento maior (o profissional que irá decidir o intervalo de encontros a depender de cada quadro apresentado pelo paciente), a fim de verificar como o paciente tem respondido a medicação.



                                Psicólogo




O psicólogo tem formação de psicologia, não é médico, e , portanto, não pode receitar medicamentos. 
O conhecimento do psicólogo é do comportamento e mente humana. Este profissional faz tratamento de doença mental através da psicoterapia. 

Com o psicólogo há encontro semanais com duração a cerca de 50 minutos.

Vamos ver um exemplo: Uma pessoa com Transtorno de Ansiedade

Psiquiatra: irá medicar de acordo com o quadro apresentado pela paciente. Objetivo é redução e se possível eliminação do sintoma. Neste exemplo reduzir a ansiedade.

Psicólogo: através da psicoterapia irá ajudar o paciente a compreender porque o transtorno de ansiedade está se manifestando nele naquele momento e através da psicoterapia é possível inclusive com o tempo o paciente não precisar mais tomar o medicamento.


Ou seja, os profissionais podem trabalhar em conjunto cada um em sua área de atuação.

Os dois profissionais são importantes, a medicação é fundamental para ajudar no tratamento psicológico. Se a ansiedade é extrema, como no caso de transtorno de ansiedade, a medicação é fundamental para que o processo de psicoterapia seja possível.  A  ansiedade alta deixa o paciente com dificuldade extrema de lidar com os seus pensamentos e sentimentos. A medicação na dosagem certa ajuda o paciente a se estabelecer emocionalmente o que permite que ele acesse de forma mais tranquila seus pensamentos e sentimentos permitindo melhor qualidade no processo psicoterápico.

Somente o medicamento sem identificar a origem do problema, a doença mental pode ficar apenas estabilizada e não melhorar, pode agravar a depender do que ocorre no ambiente do paciente. Pode causar dependência da medicação.

MITO: Psiquiatra e psicólogo são para gente louca

Claro que não!! Pelo exemplo, já podemos perceber, transtorno de ansiedade não tem nada relacionado a ''loucura'' (culturalmente conhecida, como alguém que não é "normal").
Atualmente a ansiedade e a depressão tem crescido na população cada vez mais, e na grande maioria a medicação é necessária.

Observação: o psicólogo não trata somente doença mental. Saiba o que o psicólogo faz clicando aqui.

Espero ter esclarecido suas dúvidas. E se tiver outras dúvidas fique à vontade para me perguntar.

Compartilhe com quem acredita que precisa saber dessa informação.

VEJA TAMBÉM:

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quarta-feira, 29 de junho de 2016

O que o psicólogo faz?

É comum o trabalho do psicólogo ser confundido com um ombro amigo, "é aquele quem dá conselhos". Ainda há confusão com psicólogo e psiquiatra. Infelizmente, muitos entendem que quem é atendido pelo psicólogo é "louco".
O objetivo aqui é esclarecer , afinal, o que o psicólogo faz?





O psicólogo seja em qual área estiver atuando (que são muitas vamos ver a seguir algumas delas) sempre está relacionado ao estudo da mente e do comportamento humano. Estes profissionais estudam de que forma cada pessoa se relacionada com o mundo. E com este estudo conseguem ajudar cada ser humano a desenvolver, melhorar suas habilidades, resolução de conflitos, melhorar seu comportamento entre outros.

São no mínimo 5 anos de formação. Um profissional sempre precisa se atualizar nos estudos porque os seres humanos estão em constantes mudanças.

Há vários formas de um psicólogo atuar uma das mais conhecidas é Psicólogo Clínico, muitos acreditam que só pessoas "loucas" que procuram este profissional. Ou que é um profissional que dá conselhos.


O que faz um psicólogo clínico?

Atuam em clínicas de psicologia, realizam psicodiagnóstico (avaliam o estado emocional e identifica se há alguma doença mental ou algum problema de comportamento). Atuam em conjunto com o psiquiatra nos tratamentos de pessoas com doenças mentais. Trabalham também com pessoas que não possuem um problema mental, mas estão insatisfeitos com alguma área da sua vida, no trabalho, casamento entre outros. Procuram ainda estes profissionais quem quer apenas melhorar a timidez para conseguir subir de cargo na empresa, por exemplo.  O psicólogo clínico faz psicoterapia, avaliação psicológica, psicodiagnóstico, elaboração de laudos e aplicação de diversos tipos de testes.

Veja mais exemplos de áreas e locais que o Psicólogo trabalha

Psicólogo Criminal: Atua na investigação de crimes. Ajudam na seleção de agentes penitenciários, na relação entre detentos e agentes penitenciários, conciliação entre detentos, faz o diagnóstico para avaliar se a pessoa tem capacidade e sanidade de responder pelos seus atos legalmente (imputabilidade), aliar memórias em julgamento e prestar atendimento de vítimas de violência.

Psicólogo Educacional:  Atua em clubes esportivos ou contratação pelo próprio atleta. Identifica fatores que interfere no processo de aprendizagem.

Psicólogo do Esporte: Identifica quais fatores psicológicos estão interferindo na atividade física desenvolvida. Ajuda o esportista a melhorar seu rendimento e promove seu bem estar emocional.

Psicólogo Organizacional: Atua em empresas. Em processo seletivos, relação empregador e empregado, receber os funcionários recém chegados entre outras funções dentro da empresa.

Orientação Vocacional: é feita pelo psicólogo. Ajuda o jovem a ter autoconhecimento e conhecer suas habilidades para ter maior propriedade para escolher a profissão de acordo com o seu perfil.

Psicólogo Jurídico: Atua nos tribunais, sistema prisional entre outros órgãos públicos. Há muitas funções desempenhadas por estes profissionais entre elas: Avalia as condições intelectuais e emocionais de crianças, adolescentes e adultos em conexão com processos jurídicos, orienta a administração e os colegiados do sistema penitenciário sob o ponto de vista psicológico, Atua em pesquisas e programas socioeducativos e de prevenção à violência entre outros.

Psicologia Hospitalar: Atua nos hospitais, com o conhecimento da psicologia da saúde ajudando os pacientes.

Psicomotricidade: Auxilia pacientes na recuperação psicomotora.

Existe psicólogo trabalhando no desenvolvimento de videogame também e em pesquisas científicas.

No vídeo abaixo conta de forma ilustrativa o que o psicólogo faz.






Segundo a lei 4.119 de 1962:

"Art.13 - [...]

§ 1º- Constitui função privativa do Psicólogo a utilização de métodos e técnicas psicológicas
com os seguintes objetivos:

a) diagnóstico psicológico;
b) orientação e seleção profissional;
c) orientação psicopedagógica;
d) solução de problemas de ajustamento."

Mas, como vimos estão em muitos outros lugares ajudando de uma forma diferente, mas sempre relacionadas com estudo da mente e do comportamento humano.


VEJA TAMBÉM:

O que é Psicoterapia Breve?

O que acontece na sessão de psicoterapia?

Levanta a mão quem tem medo de ir ao psicólogo?